domingo, 25 de janeiro de 2009

Quarto capítulo: Beloved Lucy



Nessa mesma tarde após os pais de Lucy terem resolvido uns assuntos na polícia e na escola, pegamos um voo para Los Angeles, Califórnia. Era inicio da noite quando pousamos como eu não queria incomodá-los decidi ficar em um hotel. Com o dinheiro que meu pai me mandara podia muito bem pagar um hotel para os dois dias que ia passar lá.

-Tem certeza querida? Na nossa casa tem bastante espaço, não vai ser nenhum incomodo- disse a mãe de Lucy, Lois Wood, com a voz fraca depois de tanto choro.

-Não precisa Sra. Wood, não quero atrapalhar...

-Não tem problema... De qualquer jeito vamos te deixar nesse hotel, ele fica duas quadras do cemitério - disse o pai de Lucy, Bruce, apontando a direção do cemitério após parar na frente de um hotel.

-Obrigada. Acho que vou andando, não precisa se preocupar de vir me buscar... E obrigado mais uma vez por terem me trazido, eu gostava dela.

Sai do carro, agradeci mais uma vez. Lucy era diferente, expansiva, meio hiperativa nunca parava de falar, era estranho conviver com ela, mas até que agradável. Enquanto ela falava, eu poderia ficar em silêncio sem chamar atenção desnecessária.

Entrei no saguão do hotel, como não era temporada de férias tinham muitos quartos e não precisei me preocupar de não ter feito reservas. Paguei os dois dias que ia dormir e subi para meu quarto, assim que me deitei tentei absolver os acontecimentos dos últimos dias como tudo havia acontecido muito rápido, e o que James quis dizer com acidente. Assim que eu voltasse para a escola conversaríamos. Não demorei muito a cair no sono.

Acordei atrasada para o funeral, me troquei rápido a fim de chegar pelo menos antes de acabar. Não fui a muitos enterros, por isso não sabia o que vestir, só sabia que tinha que ser algo preto, então vesti uma jeans escuros e uma camisa preta. Fui direto ao cemitério.

Chegando, vi ao lado da porta os pais de Lucy abraçados, a Sra. Wood chorando no peito do marido. Ao ver isso fiz uma coisa que não fazia há muito tempo, pensei em meus pais, sei que parece estranho, mas nunca tivemos muito contato, mesmo quando morávamos juntos, eles nunca ficavam em casa, sempre tinha reuniões, horas-extras. Agora que acabou o processo de divórcio eles vão ficar ainda mais afastados. Minha mãe no dia seguinte do fim do processo viajou para Escócia, com o namorado, e não ficou sabendo do ocorrido. Meu pai simplesmente ouviu um leve resumo da história, enviou o dinheiro e não perguntou mais nada como se sair da escola para um funeral no outro lado do país fosse uma coisa frequente.

Os pais da Lucy eram diferentes de tudo que eu conhecia, pareciam do tipo que a abraçariam toda vez que ela voltasse da escola, que tirariam dias de folga só para ficar mais tempo juntos, que fariam de tudo para estar sempre ao lado dela, mas agora que ela morreu, eles pareciam sem vontade para viver. Eu agora, me sentia culpada por não ter dito nada sobre Adam ou sobre James.

O velório estava cheio, muitos familiares e alguns amigos de Lucy, todos seguiram o caixão pelo cemitério. Fui seguindo atrás de todos, não me dou bem com multidões, muito menos com multidões de familiares.

Me afastei ao ouvir as palavras do padre, não acreditava no que ele falara, se Deus era tão piedoso porque os pais de Lucy estariam sofrendo agora? Afastei mais um pouco para não expor o que pensava. Fiquei a uma distância boa o suficiente para ver, mas não para ouvir.

-Você não acha que está informal demais para um enterro?- disse uma voz inconfundível, num tom maldoso atrás de mim.

-E você não deveria estar a alguns estados daqui?

-Vim no voo noturno, queria prestar as últimas homenagens a Lucy- disse formalmente.

-Últimas homenagens? James, você nunca conversou com ela- falei sem virar na direção dele- Depois eu quero falar com você... Estou em um hotel a duas quadras daqui, você pode passar lá depois, mas nós só vamos conversar.

Finalmente o padre parou de falar e eu pude me aproximar da multidão. Passou mais algum tempo até o enterro acabar, mas mesmo após todos terem ido embora fiquei junto aos pais de Lucy em frente ao seu túmulo. Não falamos nada um para o outro, eu nem percebi que James também tinha ido embora, o único som que tinha era os soluços de choro da Sra. Woods desolada.

Quando saímos do cemitério já havia passado das onze, o sol já havia se posto e as ruas estavam cheias de pessoas arrumadas para aproveitar o dia. Fui andando sem problemas até o hotel, mas quando chequei alguns metros de sua entrada vi James encostado na parede, parecia entediado, mas mantendo a postura imponente e perfeita. Pelo que parecia ele estava com a mesma roupa que usara no funeral, uma calça social, uma camisa totalmente abotoada, um paletó, todos de cor preta com um ar glamoroso, parecia mais que acabara de sair da entrega do Oscar do que de um enterro- às vezes me pego pensando se ele tem essa postura natural ou se e fingimento de uma mente medíocre que necessita de atenção.

- Está esperando há muito tempo?- minha voz estava desinteressada.

-Desde a hora que você falou para eu vir para cá- falou enquanto bocejava

-Isso faz quatro horas, você ficou ai esse tempo todo?

-Quatro horas... Isso explica o tédio. Você queria falar comigo?

-Depois, eu estou morrendo de fome, não como nada desde ontem à tarde. Vamos pedir comida no meu quarto.

Depois de almoçarmos, ele disse que o hotel estava cheio e que não tinha onde ficar e pediu para dormir em qualquer canto do quarto. Fingi que acreditava, mesmo por que tinha muitas coisas para falar, mas assim que me distrai ele começou a me beijar era quase impossível faze-lo parar. A imagem dos pais de Lucy e seu sofrimento eram mais fortes na minha cabeça, fazendo com que eu juntasse todas as minhas forças para pará-lo e questioná-lo de tudo que ele estava envolvido.

Eu mal sabia que todas essas respostas iam gerar mais perguntas e muitos problemas.

3 comentários:

Brenda disse...

Posta + !!! =D
Esse conto me deixo muuuuito curiosa ^^'

Ami disse...

adoro o blog de vcs, a historia é muito boa =)
escrevam sempre bem assim!!!
bjs.
Ami.

Lais Adelita disse...

Olá , infelizmente só tipo tempo agora pra dar as boas vindas de voce seguir meu blog.
Uma honra ,pois em milho em milho abro meu galinheiro né HAAHAHAHA


o proximo capitulo tá prontinho heim

http://cronicasdesafira.blogspot.com


Beijao ,Lais Adelita