Eu queria mostrar a vocês hoje uma das historias da minha nova amiga Grinch do blog "contos anonimos". Vou postar a primeira parte do conto "Maria sangrenta" que conta a historia de Maria uma menina de 12 anos que apos o enterro do pai se ve no meio de uma sangrenta batalha, sofrendo graves ferimentos deixando-a quase morta e so a um jeito de sobreviver...
Espero que gostem(Eu amei, sem zuera), e continuem lendo no blog "contos anonimos"
Primeiro capitulo-Maria sangrenta
Estava quase chovendo quando minha mãe pôs a mão no meu ombro. Era quase hora de voltarmos para casa, visto que não havia mais ninguém naquele funeral de segunda categoria de um marceneiro. O padre já fora, meus tios já foram, o lugar estava vazio. Morbidamente vazio e silencioso. Até mesmo minha mãe já parara de chorar. Mas para mim, que estava no início dos meus doze anos, era difícil acreditar que meu pai havia morrido.
E tão de repente. Uma doença dos pulmões o pegou desprevenido, e em poucos dias ele nem sair da cama conseguia.
Não achava que ele tinha morrido em paz. Nos últimos dias de vida estava óbvia sua condição dolorosa, lutando para poder sobreviver. Mas o pobre coitado de meu pai Endre não resistiu. Não era de se esperar que ele resistisse, claro, mas na mente de uma criança de doze anos, era bem possível que anjos descessem do céu e o agraciasse com a piedade divina.
Não... Isso não ocorreu. Era por isso que eu estava lá, olhando para a lápide de meu pai, que dizia nada mais que sua data de nascimento e de óbito e algumas inscrições de valor sentimental.
Distanciei-me de minha mãe Eliezer, seguindo para o pequeno bosque que existe em volta do cemitério e ignorando-a chamra meu nome. Queria passar algum tempo sozinha, pensando erefletindo sobre como minha vida seria agora sem meu pai, meu querido pai que trabalhava para pôr comida na mesa.
Sentei-me aos pés de uma árvore particularmente grande, comparada à minha altura de pouco mais de um metro e quarenta. Abracei meus joelhos, olhando para o céu. As nuvens antes pratas agora estavam negras, transformando o dia em noite, algo que só pioraria meu humor quando eu voltasse para casa. Haveria de chover, a chuva inundaria toda a praça e nos dias seguintes haveria apenas o cheiro úmido de mofo.
O som do galope de um cavalo quebrou minha concentração, acordando-me para o que estava ao meu redor. Começara a chover; nada muito forte, mas em pouco tempo cairia o já falado temporal. Levantei-me, preparando-me para voltar até minha mãe, quando vi um dos cavalos passar atrás de algumas árvores na minha frente.
Pondo-me a andar, e após andar por alguns minutos, percebi que havia algo de errado e ou que minha mente me pregava truques. O lugar, além de alagado pela chuva – Criando lama que suja minhas botas – estava também enevoado, o que não deveria estar acontecendo, ou assim pensei que não. Estava tudo esquisito. Sinistro, assustador. Meu eu de doze anos não aguentaria.
Do fundo dos meus pulmões, gritei por minha mãe, que não estava em lugar algum dentro de meu campo de visão. Não que este fosse muito grande com aquela névoa, claro. Tomei refúgio da chuva debaixo de uma árvore de folhas largas, esperando que o clima melhorasse em alguns minutos para eu poder voltar para casa.
Outro cavalo passava perto de mim, e ouvi o som de flechas sendo atiradas. Eu estava bem no meio da disputa entre dois nobres cavalheiros e, se eu não fosse cuidadosa, seria morta por eles.
Uma flecha encravou bem no tronco da árvore onde eu me abrigava. Gritei em desespero e fiz algo que, caso eu não tivesse feito, provavelmente não estaria aqui te contando essa história. Em vez de eu tentar me acalmar e me abaixar, fiz a coisa mais ridícula e inútil que alguém poderia fazer: Saí correndo.
No meio do caminho, quando eu já via aquelas tumbas tão familiares, senti algo se alojar em minhas costas.
Foi interrompida.
"Era uma flecha." Ele disse, suspirando.
"Exatamente, você não é tão burro quanto eu pensei." Voltou a falar.
Depois disso, eu desmaiei, implorando para que eu fosse perdoada e fosse para o paraíso. Eu sabia que iria morrer. Mas, um dos nobres cavalheiros desceu de seu cavalo, indo até meu corpinho pequeno e tosco esticado no chão.
"Você não devia ter feito isso." Ele disse para o outro. Se eu estivesse acordada, me espantaria com a quantidade de flechas encravadas em seu corpo.
"Não fui eu, foi ela."
"O que fazemos agora? Terminamos de matar ela e escondemos o corpo?"
"Prometemos que não mataríamos crianças."
"Você sugere que façamos o que?"
"Vamos levar ela para casa."
"Para?"
"Nossos pais saberão o que fazer."
"Então mova ela com cuidado. Essa flecha deve ter perfurado o estômago dela, no mínimo. Se quiser que ela chegue viva lá, claro."
Um deles, o mais alto, pegou delicadamente meu corpo, tomando cuidado para não mover demais a estaca encravada na minha barriga. Montou em seu cavalo e foi em direção à sua casa, que na verdade era um castelo enorme e bonito que era visível até mesmo do vilarejo onde eu morava.
Chegando ao tal castelo, que por acaso é esse onde estamos agora, ele mostrou-me para sua mãe. O que poderiam fazer? Matar crianças era completamente contra seu código ético, mas aquilo havia sido um acidente.
Deixaram-me em um quarto pequeno e escuro, retiraram a flecha de mim, cuidaram de meu ferimento da melhor maneira possível. Consegui acordar mais uma vez antes de morrer. Acordei vendo um homem segurando meu pulso, apertando-o. Não fiz muito barulho, mas eles sabiam que eu já estava consciente.
"Ellouise, ela não vai resistir."
"Ela está já muito fraca, não está?"
"Sim."
"Não é de espantar. Ela perdeu muito sangue."
"Você decide o que fazemos."
Como eu rezei para não me deixarem morrer!
"Sirva-se." A moça respondeu.
"Que irresponsabilidade esta de nossos filhos."
"Sirva-se" Ela repetiu, determinada. "Aproveite que estou em meu melhor humor e que não quero ter de enterrar mais uma menininha."
"Você é uma pessoa cruel."
Ela sorriu.
O homem, que era muito bonito, beijou meu pulso, e o mordeu com força. Eu gritei tanto àquela hora, me levantando violentamente da cama e tentando tirar meu braço do alcance dele, chorando ao ver aquele moço tentando me matar.
Mas claro, eu ainda tinha um ferimento enorme, e isso me derrubou facilmente. Tombei para o lado, me apoiando inicialmente nos meus bracinhos, e depois batendo de bochecha no lençol fino.
"N-não me mate" Eu disse, gaguejando. Estava desesperada àquela hora. "Por favor..."
O casal se entreolhou.
"Por favor, por favor, por favor" Eu balbuciava sem parar, apertando uma almofada. Logo minha voz deixou de ser ouvida e minha boca apenas fazia os movimentos, sem som nenhum. Mas eu ainda estava viva. Estava sofrendo, mas estava viva. Não iria me deixar morrer tão fácil.
"O que eu fiz pra vocês me matarem?" Perguntei, num sussurro, e a moça de cabelos ruivos e olhos verdes sentou-se ao meu lado.
"Me responda uma coisa" Ela disse. "Você preferiria morrer ou virar um monstro, ainda provido de vontade própria, corpo humano, mas mente de monstro? Responda rápido, pequena, antes que você morra."
No que isso iria me ajudar?
"Monstro" Respondi, fechando os olhos. Eu vou virar um monstro? Pensei. Se eu ainda pudesse ver minha mãe, viraria qualquer coisa.
"Monstro" Ela repetiu, sorrindo. Parecia feliz com minha decisão, e segurou meu pulso machucado com delicadeza. "Já imaginava. Vai doer um pouco. Mas você quer viver, não quer? Vai ter que suportar a dor para viver."
Não me deu tempo para responder a pergunta, mordeu meu pulso, sugando o sangue das minhas veias. Aquilo doía, sim, doía bastante, mas eu acreditava que ela de alguma maneira poderia me salvar, me transformando num monstro, mas ao menos eu ainda estaria viva, não?
Creio que perdi meus sentidos àquele momento.
Custei a acordar, mas quando acordei, o sol estava nascendo. Então eu havia dormido um dia inteiro? Levantei-me, ainda estando na cama simples, e passei a mão onde deveria estar o machucado, notando apenas o vestido rasgado e uma cicatriz não muito bonita. As janelas estavam fechadas, assim como as cortinas, e eu em um gesto inocente abri uma delas. A luz fraca entrou no quarto, e mesmo que fraca, ela conseguia queimar minha pele, fazendo-me reflexivamente fecha-las.
Eu havia me queimado com a luz. E isso se provava nas leves queimaduras em minha face, que estava sensível e ardente. Corri para um espelho para ver como meu rosto estava, se estava muito ruim ou com bolhas, ainda com o coração na boca.
À primeira vista, havia reflexão. Relaxei por alguns segundos, fitando a superfície reflexiva novamente. Havia reflexão. Mas, no espelho, eu era transparente. Eu podia ver o que havia atrás de mim... Gritei, gritei o mais alto que eu podia, mas minha voz saiu em um tom tão alto que quebrou o espelho e as janelas, apesar de meus ouvidos não tomarem-na como destrutiva.
Desesperei-me! Eu havia verdadeiramente me transformado em um monstro, afinal! A luz queimava minha pele, minha reflexão era transparente, minha voz era destrutiva. A porta se abria, e eu podia ver a moça de cabelos ruivos entrando no quarto, envolta em uma manta negra.
"O que houve aqui?" Ela perguntou, olhando para as coisas quebradas, olhando-me encolhida em um canto do quarto.
"M-meu Deus, me salve" Eu sussurrava, abraçando meus joelhos. "Eu v-virei um monstro."
"Ah, minha filha" Foi até mim, abaixando-se e ficando da minha altura. "Você preferiu virar um monstro."
"Então me diga que tipo de monstro eu virei..."
"Você agora é um belo monstrinho."
"Não existe monstro belo!" Gritei, sem mais nada para ser quebrado.
"Abaixe esse tom de voz. Um humano normal seria ensudercido por ela."
"M-mas..."
"Você agora se alimenta de sangue, minha querida. Você atingiu a imortalidade. Normalmente não faço isso para qualquer pessoa, mas me comovi pela sua vontade de viver".
Eu não pude evitar chorar. Eu havia virado o que chamavam de vampiro, um monstro maldito que se vive do sangue de outras pessoas, evitando a luz sempre, dormindo em caixões, correndo o risco de ser destruído por uma estaca no peito...
"Qual é o seu nome?" Ela perguntou, olhando em meus olhos.
"Ma... Maria."
"É um nome bonito. Meu nome é Ellouise. Você vai ser minha filha de agora em diante, certo?"
"Não! Nunca!" Gritei, me afastando dela. "Vou voltar para minha mãe! Para minha mãe!" Balbuciei e corri passando pela porta, deixando Ellouise para trás. O corredor que se seguia era extremamente escuro, mas meus olhos conseguiam enxergar bem no breu, apesar de minhas narinas sofrerem com o cheiro fedorento e úmido. Era intoxicante.
Corri até chegar em um longo hall, com grandes janelas fechadas, tapetes avermelhados e plantas exóticas, mas não parei apenas por lá, querendo me distanciar de Ellouise o máximo possível. Uma das plantas estendeu um de seus arbustos e segurou-me levemente com ele, fazendo-me gritar de nojo e me afastar dela, olhando para o corredor de onde eu havia vindo, confirmando que a moça ruiva não vinha atrás de mim.
"Maria, não precisa ter medo de mim." Ouvi ela dizer, aparecendo do meu lado. Me afastei dela, acidentalmente batendo de costas em um vaso com uma planta enorme, que enrolou uma vinha no meu braço. Ellouise apontou para ela, e ela se desfez em chamas.
"O-onde eu vim parar?!" Perguntei, gritando, puxando os cabelos. "Meu Deus!"
"Você está na minha casa, Maria." Se abaixou, segurando minha mão. "Vai ficar tudo bem."
"Uma casa de demônios! Não, não vai ficar tudo bem! Meu Deus! E não toque em mim, bruxa!" Berrei, as lágrimas já escorrendo pelas minhas faces. "O que a-aconteceu comigo?" Lentamente me pus de joelhos no chão, com as mãos no rosto.
"Você está muito cansada, e ainda é de manhã. Vá dormir."
"M-mas... De manhã é quando eu acordo..."
"Não se faça de idiota, Maria. Você agora é uma vampira."
"Eu não quero..." Parei de falar, deixando o choro tomar conta de mim.
"Vamos, já é muito tarde."
Senti ela me pegar no colo com facilidade. Questão de segundos depois ela já me deixava no chão, e eu sentava nele, chorando mais, e cada vez mais alto, como uma criança que fora arrancada da mãe.
"Silêncio, Maria" Ellouise disse, me levantando novamente. Eu forcei para baixo, deixando transparecer a menina mimada que eu era. "Pare de teimar. Abra os olhos."
Eu abri um deles, enxugando as lágrimas e olhando em volta. Havia caixões, mais exatamente seis deles, e alguns candelabros iluminavam aquela sala escura. O cheiro não era úmido nem intoxicante, era agradável até, e o aposento não era tão feio, apesar de escuro – Havia alguns quadros, tapetes, uma escrivaninha e alguns criado-mudos.
"Aquele é o seu" Ela falou, abrindo um caixão e sentando dentro dele, apontando para um grande demais para mim. "Vou comprar um pequeno amanhã, esse é de reserva."
"Mas... E-eu vou dormir em um caixão...?"
"Sim, Maria. Não vai entrar nenhuma luz nele e você não vai se queimar."
"E-eu não quero... Não quero dormir num caixão..." Estava chorando novamente. "Eu n-não morri... E-eu estou viva, não está vendo? Eu me mexo, eu falo, eu respiro, eu penso; eu não estou morta..."
"Morreu. Lembra da flecha? Lembra de quando eu suguei seu sangue?"
Eu iria descobrir mais tarde que talvez ela não fizesse isso por crueldade. Ela era assim mesmo, não gostava de enrolar nas palavras e muito menos de passar a mão na cabeça dos outros. Uma das raras vezes que eu a vi fazer isso foi no momento que se seguiu.
"Mas..." Meu rosto estava vermelho e eu tentava segurar as lágrimas, apertando meu vestido. Era triste demais para mim.
Ela suspirou. Estendeu-me a mão e voltou a falar.
"Venha cá. Pode dormir comigo essa noite. Mas só essa."
Relutante, eu fui até ela, segurando sua mão. A soltei para tirar meus sapatos e pisei no estofado macio, sentando-me nele e me virando para o lado oposto do de Ellouise.
"Boa noite, Maria. E não chore, estou aqui."
Ela me deu um beijo na bochecha. Talvez estivesse querendo agir como mãe. E finalmente fechou a tampa.
"Já está ficando tarde. Melhor eu ir dormir." Maria disse, levantando-se da cadeira e se espreguiçando. "Amanhã eu continuo a história. Me leve para meu quarto."
"Certo..." Ele falou, pegando-a nos braços como uma boneca, e subindo uma escadaria até uma torre muito alta no castelo. O quarto de Maria continha apenas uma janela, era enfeitado com flores que enchiam o ar com um aroma agradável e uma das paredes era um espelho – A menina adorava ficar vendo sua meia-reflexão, ajeitando os cabelos e achando falhas nos vestidos que o rapaz fazia para ela.
A deixou no chão e abriu a tampa de um caixão, onde Maria entrou e se deitou.
"Boa noite, Daniel." Ela disse.
"Boa noite, Eliza Maria."
"Já te disse para me chamar apenas de Maria. Boa noite." E a tampa se fechou, sem ela mexer um músculo.
Daniel suspirou, sentando-se em sua cama e observando o local de descanso da menina morta.
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Btw Russia is moe.










